Lalola


Já confessei aqui no blog que não entendo nada de novela. Não vi a Alzira fazendo pole dance em Duas caras, nem a morte da Ágata em Sete pecados nem um capitulozinho que fosse de Desejo proibido. Mas sábado não resisti à curiosidade e assisti durante uns minutos a Lalola, no SBT. Eu sei, eu sei, devia ser crime inafiançável assistir a qualquer novela que passe naquele canal. Mas pelo pouco que vi, parece que esta é diferente.

A trama é rocambolesca, embora não seja exatamente uma novidade: o mulherengo Lalo sofre o pão que o diabo amassou depois que uma de suas conquistas resolve se vingar. Ela procura uma cigana, que transforma o garanhão numa mulher. A partir daí, ele tem que aprender a viver no novo corpo até conseguir desfazer a confusão.

No capítulo de sábado, não consegui entender muita coisa, porque peguei o bonde andando. Sei que Lola estava desesperada porque precisava com urgência de novos documentos, agora como mulher, para apresentar na editora onde trabalha. Quer dizer, onde Lalo trabalha. Ela ficou em seu lugar, se passando por sua prima. Doido, né? Depois ela conseguiu, na última hora, trocar a capa de uma revista que já estava na gráfica e acabou demitida. Sem contar que o fotógrafo da revista, que está procurando uma nova mãe para sua filha, está gostando da moça. Isso não vai prestar...

Pra quem acha que América Latina é tudo igual, um aviso: a produção é argentina e não mexicana. Isso já nos livra dos diálogos melosos e mal escritos, das interpretações muitos tons acima do aceitável, cenários e figurinos cafonas e direção careta, onde os atores mal conseguem se mexer. Lalola é uma comédia, com trilha sonora e edição pretensamente moderninhas. Parece pouco? Acredite, isso faz uma diferença enooooorme.

Será Lalola a nova Betty, a feia?
Giselle de Almeida

Ano novo, filmes novos


Depois de um recesso (meio forçado) de fim de ano, eis que 2008 começa com bons filmes! Na minha primeira folga do ano, a intenção era assistir a O amor nos tempos de cólera, com o onipresente Javier Bardem no elenco, Fernanda Montenegro e música de Shakira. Não li o livro, mas a história me parece bem interessante. Fiquei curiosa. Pelo visto, eu e todas as outras pessoas que lotaram a sala do Arteplex. Fiquei então com Sombras de Goya, que estava na minha lista desde o Festival do Rio. Bardem também estrela o longa, além da Natalie Portman, que considero uma das melhores atrizes jovens atualmente em Hollywood.

Na Espanha, sob o comando do Irmão Lorenzo, a inquisição ganha força. A jovem Inés é presa e torturada durante anos apenas pela suspeita de praticar costumes judaicos. Fazendo a ponte entre os personagens, o pintor Francisco Goya, que presencia os horrores vividos pelos prisioneiros da Igreja e acaba revelando suas impressões em sua obra. A trama é bem amarrada, tem um bom painel histórico de fundo, sem, contudo, parecer uma aula de História. Ponto a favor. A personagem de Portman poderia ser melhor explorada, mas isso não chega a comprometer. Bardem rouba a cena sempre que tem a chance, e olha que as interpretações de todo o elenco são muito boas.

Já o outro filme que escolhi por motivo de força maior foi a primeira grata surpresa de 2008: A culpa é do Fidel! Tinha ouvido falar durante o Festival, mas confesso que nem busquei informações a respeito. Agora no lançamento em circuito, a sinopse me agradou: uma menina vê seu mundo virar de cabeça pra baixo quando seus pais viram ativistas políticos. Poderia ser um daqueles filmes-cabeça chatos, eu sei. Mas não é. Aliás, é bem divertido. A protagonista não poderia ter sido melhor escolhida: Nina Kervel-Bey é, apesar da pouca idade, uma grande atriz. E o menino que interpreta seu irmão é tão fofo que dá vontade de levar pra casa!

Nina é Anna, uma menina que ouve sua empregada cubana dizer que sua vida mudou por causa dos barbudos comunistas e não pode ler histórias do Mickey, porque seu pai diz que o ratinho é fascista. É interessante como a gente consegue, através do filme, ver o mundo do ponto de vista de uma criança. Nem sempre nos damos conta de que as coisas podem ser complicadas para elas. Anna questiona tudo que não compreende, mas não tem maturidade para assimilar as explicações. Isso não quer dizer que ela não sinta, não perceba as mudanças, o que ocorre à volta dela. É difícil ser criança em um mundo de adultos.
Giselle de Almeida