Oscar 2015: Boyhood

Indicações: filme, diretor, atriz coadjuvante (Patricia Arquette), ator coadjuvante (Ethan Hawke), roteiro original e edição


Não entendo quando alguém (a minoria, felizmente) diz que Boyhood não é nada demais ou não tem história. Talvez o filme mais sensível da temporada, o longa de Richard Linklater merecia um pouco mais de consideração por parte do público. Não só pela originalidade do projeto como por sua execução impecável. 

Em primeiro lugar, não, a proposta de se filmar os mesmos atores ao longo de 12 anos não pode ser desvinculada do resultado final. Isso faz parte da concepção da obra e acrescenta significado: ou você não acha que as transformações físicas e emocionais do elenco não acrescentaram nada às suas performances? Seus questionamentos e vivências e mudanças de opinião não trouxeram camadas extras aos personagens? Sim, trouxeram. E rodar por três meses seria uma escolha muito mais prática do que por mais de uma década, com todos os percalços e imprevistos que um período tão longo implica - se não fizesse diferença, estejam certos de que seria a decisão mais sábia.

Mas se esse aspecto é o que logo chama atenção ao se falar do filme, o conteúdo é outra agradável surpresa. A proposta de Boyhood é acompanhar o crescimento de Mason (Ellar Coltrane) desde a infância até o início da fase adulta, tarefa tão simples na aparência quanto difícil na essência. Todos os questionamentos vividos pelo rapaz são capazes de provocar imediata identificação, por mais diferente que seja a experiência de cada espectador. 

A relação de implicância com a irmã, Samantha (Lorelei Linklater), de amor com a mãe (Patricia Arquette), de distanciamento e fascínio com o pai (Ethan Hawke), e de aceitação com o padrasto,  que vão se modificando com o tempo. A necessidade da independência. Os questionamentos sobre o futuro. Os ressentimentos. Os relacionamentos amorosos. A escolha do próprio caminho. A consciência do amadurecimento.

Cada tema que vai surgindo na tela segue um ritmo fluido e, à medida que vamos enxergando na tela a mudança das feições de cada um dos atores, somos capazes de reconhecer também as transformações pelas quais passamos ao longo da vida. Uma sequência que se destaca é a da personagem de Arquette ao se dar conta da mudança do filho para a faculdade: naquele momento irreversível, ela passa sua vida inteira em revista e se emociona ao perceber a dura passagem do tempo. 

A performance da atriz durante todo o longa, aliás, é memorável. Subestimada no cinema, ela encara com coragem um papel difícil: a mulher doce e dependente, que faz algumas escolhas erradas na tentativa de acertar. Sua jornada mostra diferentes fases, todas defendidas com sinceridade, coisa bonita de se ver. Ethan Hawke, parceiro de Linklater na trilogia Antes do Amanhecer, tem menos tempo de tela, mas não desperdiça nenhum segundo: com seu carisma, ele transforma o pai ausente num dos personagens mais adoráveis do filme. Ellar Coltrane e Lorelei Linklater, por sua vez, demonstram uma segurança pouco comum para atores tão jovens. E fica óbvia a participação do diretor nesse processo, porque é preciso sensibilidade para perceber o potencial de momentos tão singelos numa história tão comum, no bom sentido. Sorte nossa que isso não faltou em Boyhood.


Oscar 2015: Birdman

Indicações: filme, diretor, ator (Michael Keaton), ator coadjuvante (Edward Norton), atriz coadjuvante (Emma Stone), roteiro original, fotografia, edição de som e mixagem de som


Arrisco a dizer que todo ano o Oscar deveria ter o seu Birdman. Aliás, todo ano o cinema deveria ter o seu Birdman. É daqueles filmes que dividem opiniões - os que apreciam a ousadia e os que torcem o nariz para a proposta diferente. É daqueles filmes que provocam - na forma pouco usual, no conteúdo metalinguístico e crítico até o talo. É daqueles filmes que têm o que dizer mas, ao mesmo tempo, não se levam muito a sério. É daqueles filmes sobre o qual vamos falar sobre um bom tempo, enquanto outras dezenas (talvez até premiadas) cairão no esquecimento e na irrelevância. Pelo menos é o que eu espero.

Já na primeira cena, o longa de Alejandro González Iñárritu flerta com o surrealismo, ao mostrar o protagonista flutuando (de cueca, vejam bem) dentro de seu camarim. O estranhamento segue durante toda a projeção, enquanto nos perguntamos seriamente se Riggan (Michael Keaton) ouve vozes ou é mesmo capaz de conversar com Birdman, seu personagem mais famoso nos cinema (e seu alter ego nas horas vagas). 

Único papel de sucesso na carreira de um ator em decadência, o super-herói não surge impunemente na história neste momento em que as bilheterias dos Estados Unidos (e do resto do mundo, por que não?) só tem olhos para franquias adaptadas dos quadrinhos. A graça só aumenta por trazer Keaton no papel: intérprete do Homem-Morcego nos Batman de Tim Burton, ele não tem exatamente vários sucessos em sua carreira recentemente.

A busca pelo sucesso fácil, programa certo na agenda de produtores gananciosos e artistas preguiçosos, parece tão patética quanto o desespero do protagonista, que luta para montar um espetáculo e conseguir algum respeito dos críticos. Não que os críticos do filme sejam pessoas que mereçam qualquer credibilidade: são pessoas frustradas, impiedosas e arrogantes, você sabe. Todo o esforço de Riggan, no entanto, parece ser recompensado quando ele encontra Mike (Edward Norton), um ator motivado e talentoso de verdade. Mas eis que as palmas da platéia encontram outro dono e tudo vai por água abaixo, de novo. 

Acompanhar as idas e vindas emocionais e intelectuais dos personagens é um desafio, e a câmera sempre em movimento e a edição fluida do filme, quase um enorme plano sequência, nos dão a eterna sensação de percorrermos um enorme labirinto. A sensação de um tempo bem próximo do real aumenta a noção de urgência que permeia todo o filme: a peça vai estrear, o ator não vai aparecer, Riggan vai perder a sanidade, vai cometer um ato impensável. Iñárritu comanda com maestria o espectador por esses túneis que conectam ficção e realidade, vida íntima e vida pública, arte e show business.

O longa nos brinda com sequências hilárias como a que o protagonista percorre a Broadway de cueca e a briga entre Mike e Riggan; emocionantes como as francas conversas com a filha e a ex sobre o que a vida poderia ter sido e não foi; intrigantes como os confrontos entre Birdman e seu intérprete. Keaton está seguro em cena e entrega uma atuação sincera em todas as nuances do personagem, que entra em depressão com a mesma velocidade em que embarca numa egotrip. 

Norton está divertidíssimo como o artista meio sem noção meio sem escrúpulos, que não se importa em roubar a cena para garantir seu lugar ao sol. Os dois se destacam, mas Zach Galifianakis, Emma Stone e Naomi Watts seguram bem as pontas nos papéis secundários, dando consistência ao filme. O filme de Iñárritu talvez seja um sinal de que os astros de Hollywood precisem dar mais ouvidos para seus Birdmen interiores.

No próximo post: Boyhood

Oscar 2015: Whiplash

Indicações: filme, ator coadjuvante (JK Simons), roteiro adaptado, edição e mixagem de som


Desde sua primeira cena, Whiplash deixa clara sua proposta: construir um duelo direto entre um jovem aspirante a músico e um exigente professor. No entanto, à medida que o filme avança, a dinâmica entre eles se distancia cada vez mais da relação pupilo-mestre que se costuma ver em longas do gênero. Em vez de simplesmente inspirar, Terrence Fletcher (JK Simons) provoca o jovem Andrew (Miles Teller) até o limite, numa relação que mais lembra um treinamento militar que um aprendizado artístico. E é na alternância entre essas duas forças, apoiadas por duas grandes interpretações, que está o grande trunfo da produção.

Talvez a principal característica que salva o filme de cair no lugar comum seja a ambição de Andrew. Se fosse apenas um gênio incompreendido em busca da grande oportunidade, a história perderia muito em relevância. O rapaz tem talento, assim como muitos de seus colegas, mas se distingue não só pela determinação: ele não quer ser apenas bom, quer ser o melhor. Diz isso com todas as letras, busca isso todos os dias, para se tornar alguém memorável e nunca mais ser deixado de lado nos jantares da família. 

Em busca do sucesso, resolve abrir mão até do recente e promissor namoro com Nicole (Melissa Benoist) para se dedicar 100% ao jazz. A cena do término, aliás, merece destaque pela franqueza e até frieza do protagonista: ele está disposto a tudo para se destacar na carreira, doa a quem doer.

E por falar em dor, o baterista conhece bem o assunto. Além de dar o sangue, literalmente, em exaustivos ensaios, Andrew enfrenta situações bem mais difíceis no âmbito psicológico. Humilhação pública, tortura psicológica e até violência física são os recursos empregados por Fletcher, professor talentosíssimo e muito conceituado que, após alguma resistência, aceita o jovem em sua banda. 

O diretor e roteirista Damien Chazelle diz que se baseou numa experiência própria, que vivenciou enquanto estudava jazz numa renomeada escola americana. Segundo o cineasta, seu objetivo era discutir até que ponto uma atitude tão, digamos, enérgica, poderia ser produtiva ou prejudicial. 

Embora tente equilibrar os dois pontos de vista e até flerte com uma crítica ao método pouco ortodoxo do mestre, ao apresentar as dramáticas consequências na vida de um ex-aluno, o filme tem, afinal, um vencedor. A teoria de Fletcher, de que vale tudo no combate à mediocridade, parece prevalecer no fim, reforçando a ideia de que só é possível alcançar a perfeição na base do bullying. E está aí a sequência final para corroborar essa ideia. Ressalvas à parte, não se pode negar que os embates entre professor e aluno são o ponto alto do filme. 

Ponto para a firme direção de Chazelle (também diretor de fotografia e responsável pelo estilo visual apurado do longa, com seus closes precisos e movimentos de câmera significativos) e para os atores. Teller, ainda um ator desconhecido do grande público, tem aqui chance de brilhar antes de se lançar em obras mais populares como o novo Quarteto Fantástico, que pode deslanchar sua carreira. Já Simons, um ator quase sempre relegado a papéis menores, ganha um personagem a sua altura e domina a cena toda vez que aparece. Neste duelo, só há vencedores.

No próximo post: Birdman

Bolão do Oscar 2015



É chegada a hora de um dos momentos mais divertidos do ano, o bolão do DVD, Sofá e Pipoca, aquele evento anual em que o Comentar é Preciso chega aos 45 do segundo tempo e chuta todas para bem longe da área. Mas aqui vale a máxima do "importante é competir", ou melhor, bom mesmo é dividir os pitacos e imoressões do ano com os amigos blogueiros cinéfilos. Esse ano a maratona foi devagar quase parando (shame on me), mas amanhã ainda deve rolar um retardatário por aqui (impedível hehe).

Indo ao que interessa, nossos preferidos e nossos palpites do ano. Rufem os tambores!

Melhor filme

Indicados: "Sniper americano", "Birdman", "Boyhood: Da infância à juventude", "O grande hotel Budapeste", "O jogo da imitação", "Selma", "A teoria de tudo", "Whiplash"

Quem eu acho que vai ganhar: Birdman. Pela ousadia narrativa, pela temática crítica, pelo jeitão debochado. Mas acho que "Boyhood" ou "Sniper americano" têm suas chances

Por quem eu vou torcer: "Birdman" e "Boyhood". "O Grande hotel Budapeste" é lindo, mas os dois, cada um a seu estilo, são os mais marcantes de um ano fraco. Um é frenético, o outro é plácido. Um é surrealista, o outro, naturalista. Um tem mais comédia, o outro tem mais drama. Mas os dois têm a coragem de sair do lugar comum, que afunda cada vez mais o cinema americano (e mundial)


Melhor diretor

Indicados: Alejandro Gonzáles Iñárritu ("Birdman"), Richard Linklater ("Boyhood"), Bennett Miller ("Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo"), Wes Anderson ("O grande hotel Budapeste"),
Morten Tyldum ("O jogo da imitação")

Quem eu acho que vai ganhar: Tô na dúvida, mas vou de Linklater. Anderson e Iñárritu também estão no páreo, merecidamente

Por quem eu vou torcer: acho que a sensibilidade do Linklater precisa ser reconhecida, mas confesso que gostaria muito de ver Iñárritu no palco. Qualquer preferência por latinidade aqui não é mera coincidência


Melhor ator

Indicados: Steve Carell (Foxcatcher), Bradley Cooper (Sniper americano), Benedict Cumberbatch (O jogo da imitação), Michael Keaton (Birdman), Eddie Redmayne (A teoria de tudo)

Quem eu acho que vai ganhar: Eddie Redmayne, porque o papel é sob medida pro Oscar e blábláblá

Por quem eu vou torcer: o Batman, claro. Amo Benedict de todo meu coração e sou fã do Steve Carell (embora eu não tenha visto Foxcatcher ainda), mas Michael Keaton está incrível num papel incrível. Bradley Cooper está bem sim, obrigada, mas não sou grande fã do filme (explico mais aqui)


Melhor ator coadjuvante

Indicados: Robert Duvall ("O juiz"), Ethan Hawke ("Boyhood"), Edward Norton ("Birdman"), Mark Ruffalo ("Foxcatcher"), JK Simons ("Whiplash")

Quem eu acho que vai ganhar: JK Simons, e vai ser lindo. Um grande papel para um grande ator que não deveria fazer só coadjuvantes. Nem acho que ele seja nesse filme, mas isso é tema para outro post

Por quem eu vou torcer: Simons, pelos motivos acima. Embora o filme tenha seus problemas, sua performance é irretocável. Mas Ethan Hawke e Edward Norton também estava inspirados


Melhor atriz

Indicados: Marion Cotillard ("Dois dias, uma noite"), Felicity Jones ("A teoria de tudo"), Julianne Moore ("Para sempre Alice"), Rosamund Pike ("Garota exemplar"), Reese Whiterspoon ("Livre")

Quem eu acho que vai ganhar: Julianne Moore, e esse é meu único ponto certo nesse bolão. Só dá ela há meses nas listas de apostas dos críticos, então... Ansiosíssima para ver o filme
Por quem eu vou torcer: que triste essa lista, vi quase nada. Das que assisti, Felicity e Rosamund não merecem. Então fico com Julianne e Marion, que são incríveis 99% das vezes


Melhor atriz coadjuvante

Indicados: Patricia Arquette ("Boyhood"), Laura Dern ("Livre"), Keira Knightley ("O jogo da imitação"), Emma Stone ("Birdman"), Meryl Streep ("Caminhos da floresta")

Quem eu acho que vai ganhar: Patricia Arquette, e vou dar pulos de alegria se isso acontecer. Uma atriz incrível e tão subestimada, tomara que esse filme (e esse Oscar) dêem um upgrade na carreira dela. Merece só pela cena em que desabafa com o filho e me fez chorar (mentira, merece pelo filme inteiro)

Por quem eu vou torcer: preciso dizer? Arquette, né? E não sei nem o que Keira Knightley tá fazendo nessa lista, ela não pode estar na mesma frase que a Meryl Streep, que heresia

Melhor filme em língua estrangeira

Indicados: "Ida" (Polônia), "Leviatã" (Rússia), "Tangerines" (Estônia), "Timbuktu" (Mauritânia), "Relatos selvagens" (Argentina)

Quem eu acho que vai ganhar: Leviatã (chutômetro mode on)

Por quem eu vou torcer: Relatos Selvagens, que, além de ser o único da lista que consegui ver, é argentino e bom demais!


Melhor documentário

Indicados: O Sal da Terra, "CitizenFour, "Finding Vivian Maier", "Last days", "Virunga"

Quem eu acho que vai ganhar: uni-duni.... O Sal da Terra


Melhor documentário em curta-metragem 

Indicados: "Crisis Hotline: Veterans Press 1", "Joanna", "Our curse, “The reaper (La Parka), White Earth

Quem eu acho que vai ganhar: The Reaper


Melhor animação

Indicados: "Operação Big Hero", "Como treinar o seu dragão 2", "Os Boxtrolls", "Song of the sea", "The Tale of the Princess Kaguya

Quem eu acho que vai ganhar: Como treinar o seu dragão 2

Por quem eu vou torcer: Banguela!


Melhor animação em curta-metragem

Indicados: The bigger picture, The dam keeper, "Feast, "Me and my moulton, "A single life

Quem eu acho que vai ganhar: Feast


Melhor curta-metragem em 'live-action'

Indicados: "Aya", "Boogaloo and Graham", "Butter lamp (La lampe au beurre de Yak)", "Parvaneh", "The phone call"

Quem eu acho que vai ganhar: The phone call


Melhor roteiro original

Indicados: Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo ("Birdman"), Richard Linklater ("Boyhood"), E. Max Frye e Dan Futterman ("Foxcatcher"), Wes Anderson e Hugo Guinness ("O grande hotel Budapeste"), Dan Gilroy ("O abutre") - 17/02

Quem eu acho que vai ganhar: Boyhood

Por quem eu vou torcer: Birdman ou Boyhood, fico feliz com os dois


Melhor roteiro adaptado

Indicados: Jason Hall ("Sniper americano"), Graham Moore ("O jogo da imitação"), Paul Thomas Anderson ("Vício inerente"), Anthony McCarten ("A teoria de tudo"), Damien Chazelle ("Whiplash")

Quem eu acho que vai ganhar: O jogo da imitação

Por quem eu vou torcer: O jogo da imitação, que não é brilhante, mas bem elaborado. Da lista, só não vi Vício inerente, e os outros não deveriam levar...


Melhor fotografia

Indicados: Emmanuel Lubezki ("Birdman"), Robert Yeoman ("O grande hotel Budapeste"), Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski ("Ida"), Dick Pope ("Sr. Turner"), Roger Deakins ("Invencível")

Quem eu acho que vai ganhar: Ida


Melhor edição

Indicados: Joel Cox e Gary D. Roach (Sniper americano), Sandra Adair (Boyhood), Barney Pilling (O grande hotel Budapeste), William Goldenberg (O jogo da imitação), Tom Cross (Whiplash)

Quem eu acho que vai ganhar: O jogo da imitação


Melhor design de produção

Indicados: "O grande hotel Budapeste, "O jogo da imitação", "Interestelar", "Caminhos da floresta, "Sr. Turner"

Quem eu acho que vai ganhar: Interestelar


Melhores efeitos visuais

Indicados: Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick ("Capitão América 2: O soldado invernal"), Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist ("Planeta dos macacos: O confronto"), Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould ("Guardiões da Galáxia"), Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher ("Interestelar"), Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer ("X-Men: Dias de um futuro esquecido")

Quem eu acho que vai ganhar: Interestelar


Melhor figurino

Indicados: Milena Canonero ("O grande hotel Budapeste"), Mark Bridges ("Vício inerente"), Colleen Atwood ("Caminhos da floresta"), Anna B. Sheppard e Jane Clive ("Malévola"), Jacqueline Durran ("Sr. Turner")

Quem eu acho que vai ganhar: O grande hotel Budapeste


Melhor maquiagem e cabelo

Indicados: Bill Corso e Dennis Liddiard ("Foxcatcher"), Frances Hannon e Mark Coulier ("O grande hotel Budapeste"), Elizabeth Yianni-Georgiou e David White ("Guardiões da Galáxia")

Quem eu acho que vai ganhar: Guardiões da galáxia


Melhor trilha sonora

Indicados: Alexandre Desplat ("O grande hotel Budapeste"), Alexandre Desplat ("O jogo da imitação"), Hans Zimmer ("Interestelar"), Gary Yershon ("Sr. Turner"), Johann Jóhannsson ("A teoria de tudo")

Quem eu acho que vai ganhar: O grande hotel Budapeste


Melhor canção

Indicados: "Everything is awesome", de Shawn Patterson ("Uma aventura Lego"), "Glory", de John Stephens e Lonnie Lynn ("Selma"), "Grateful", de Diane Warren ("Além das luzes"), "I'm not gonna miss you", de Glen Campbell e Julian Raymond ("Glen Campbell…I'll be me"), "Lost Stars", de Gregg Alexander e Danielle Brisebois ("Mesmo se nada der certo")

Quem eu acho que vai ganhar: Selma


Melhor edição de som

Indicados: Alan Robert Murray e Bub Asman ("Sniper americano"), Martín Hernández e Aaron Glascock ("Birdman"), Brent Burge e Jason Canovas ("O hobbit: A batalha dos cinco exércitos"), Richard King ("Interestelar"), Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro ("Invencível")

Quem eu acho que vai ganhar: Interestelar


Melhor mixagem de som

Indicados: John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin ("Sniper americano"), Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga ("Birdman"), Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten ("Interestelar"), Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee ("Invencível"), Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley ("Whiplash")

Quem eu acho que vai ganhar: Whiplash

Oscar 2015: Sniper Americano

Indicações: filme, ator (Bradley Cooper), roteiro adaptado, montagem, edição de som e mixagem de som


Filmes de guerra precisam de uma boa razão para serem feitos ou viram puro panfleto ideológico. Mostrar o horror dos conflitos e os efeitos psicológicos de uma experiência traumática são bons exemplos, e Sniper Americano atira (com o perdão do trocadilho) em ambos. Mas não acerta nenhum. A história de Chris Kyle, considerado o atirador mais letal da história da marinha americana, sofre com essa falta de definição e não consegue formar um retrato mais contundente do personagem. A crítica velada ao patriotismo cego acaba anulada pelos elementos que exaltam o herói. Neutralidade intencional? Talvez, mas uma pergunta não me sai da cabeça: o que faz de Kyle um herói maior que seus companheiros?

Uma cena rápida do filme talvez contenha a "resposta": ao cruzar com o irmão, recém-convocado para a guerra, antes de voltar para uma de suas missões, o protagonista se mostra surpreso e até chocado ao ver que o caçula não queria ir. Pelo contrário, estava com medo, com raiva. O sniper não tinha dúvidas de seu propósito. O roteiro, aliás, deixa de lado a sutileza e afirma que seu comportamento é fortemente influenciado pela visão do pai, que ensina aos filhos que as pessoas se dividem entre indefesas ovelhas, lobos malvados e cães pastores, cuja função é proteger.

Sem direito a escolha, Kyle fica com a última opção - embora, curiosamente, tenha tentado a vida como caubói para conquistar mulheres num primeiro momento. Motivado por um ataque à embaixada americana e com a vida meio à deriva, decide se juntar às forças armadas. Em pouco tempo, ainda em sua primeira missão no Iraque, torna-se O Mito, pela exímia pontaria e pelo número de vítimas. Ganha o respeito e a admiração dos colegas, mas se transforma também em um estranho em casa. 

Seu lugar de conforto é na batalha, onde, tal qual um robô, repete infinitamente que deseja salvar a vida dos companheiros. Enquanto não está lá, não consegue se dedicar à mulher, Taya (Siena Miller), e aos filhos. E é aí que ele se diferencia de tantos veteranos com estresse pós-traumático já retratados no cinema. Enquanto, normalmente, ex-combatentes precisam se livrar dos fantasmas para retomar a rotina, ele não quer nada disso. Somente sente ansiedade e impotência por não poder se juntar a seu pelotão.

O sofrimento da família é o único contraponto que sugere algum tipo de egoísmo do protagonista. Mas é possível que os americanos mais patrióticos possam enxergar justamente o contrário e culpar Taya por reclamar tanto da ausência do marido. No entanto, o discurso do atirador apenas repete a lógica (?) da guerra: salvar, eliminar o inimigo, proteger o "melhor país do mundo", como ele afirma a certa altura. 

Já os iraquianos são homens quase sem história, sem nome, sem família, são ameaçadores, perigosos, impiedosos. São os outros. Então a decisão de matar só é difícil quando se trata de uma mulher ou uma criança? O filme cai nessas armadilhas, que são um desserviço para uma cultura extremamente bélica como a americana e que se estende por outros países também.

Fora isso, no que se refere à construção da narrativa, o longa consegue construir bons momentos de tensão e fortes sequências dramáticas, com Siena Miller e Bradley Cooper bastante inspirados. E aqui cabe um comentário sobre terceira indicação seguida do ator, não muito respeitado pelos críticos e mais identificado com as comédias e produções românticas. Cooper é um ator mediano, que definitivamente não merecia ser indicado pelo pretensioso Trapaça ou pelo irregular O Lado Bom da Vida. Mas aqui, sob a batuta de Clint Eastwood, se sai muito bem, sem apelar para exageros, e contrói um Chris Kyle contraditório e crível.

O fato de Eastwood ter assumido a direção após a saída de Steven Spielberg do projeto, por conta do modesto orçamento da produção, me deixa com a impressão de que o longa ganhou mais força no lado humano da história, embora as sequências de ação sejam conduzidas com competência. Ainda assim, Sniper Americano fica devendo uma resposta para a pergunta feita no primeiro parágrafo. Porque ser uma máquina mortífera (eficaz, focado e sem medo) não é suficiente para alçar alguém a um posto especial em uma situação como a guerra, onde só existem perdedores.

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Oscar 2015: A Teoria de Tudo

Indicações: filme, ator (Eddie Redmayne), atriz (Felicity Jones), roteiro adaptado e trilha sonora


Antes de tudo, confesso: tenho sempre um pé atrás com cinebiografias. Raros são os exemplos que não floreiam demais, não adocicam demais e não contam de menos. O segredo, a meu ver, é o recorte: qual é o ângulo ideal para revelar, enfim, algo novo ou surpreendente sobre o personagem? A Teoria de Tudo nem se esforça para disfarçar que é um filme de superação, daqueles cuidadosamente programados para fazer o público soluçar.

Não que as dificuldades enfrentadas por Stephen Hawking (Eddie Redmayne) não tenham me emocionado, mas saí do filme sem descobrir muita coisa sobre ele além de sua condição física, já mundialmente famosa. O que levou Jane (Felicity Jones) a se apaixonar quase instantaneamente por ele naquela festa? Se não chamava a atenção pela beleza física, certamente tinha outros atributos... Seria o humor a principal característica de sua personalidade? O filme de James Marsh fica na sugestão, mas não aprofunda essa abordagem.

E creio que esse seja um dado importante para irmos além da superfície de um gênio da física aprisionado a uma cadeira de rodas por uma doença degenerativa. Uma fala do personagem, aliás, chama a atenção: ao ouvir do médico seu diagnóstico, sua sentença de morte em dois anos e todos os problemas que passaria a partir de então, ele questiona: "E o cérebro?". Isso diz muito sobre ele. Sua preocupação era continuar trabalhando, não interromper sua pesquisa.

Foi isso que ele fez, mas o longa prefere enveredar pelo drama doméstico em vez de mostrar a importância de seu trabalho teórico, as críticas que enfrentou, os trabalhos que inspirou ou qualquer aspecto relativo ao seu trabalho. Ficamos apenas com a coleção de conquistas de seu sucesso: um convite para um palestra internacional, uma ópera em Paris, uma comenda real. Podemos deduzir, portanto, que ele é um homem que venceu na vida.


No âmbito familiar, o casamento ganha uma porção importante da trama, enquanto  as relações com os amigos, professores, os pais, e os filhos, principalmente, são tratadas de forma quase nula. Não se pode negar, realmente, que a trajetória de Jane seja interessante: uma jovem cristã que se apaixona por um ateu, uma esposa que se propôs a dividir a vida com um marido com cada vez mais dificuldades de locomoção e comunicação, mãe abnegada de três filhos, uma mulher mais madura com dúvidas e desejos por outro homem. Mas, de tanto tocar nessas questões, o filme, muitas vezes, parece ser sobre ela, e Hawking vira coadjuvante. Mais uma vez, falta foco na história, que tenta abarcar todos os principais acontecimentos da vida do cientista e quase vira um grande resumo para iniciantes.

A esquematização do roteiro não invalida, obviamente, as atuações dos atores principais. Felicity é comedida, mas convincente - só que não arrebatadora a ponto de uma indicação. Já Redmayne enfrenta um desafio maior, por ter em mãos um papel desenhadinho para o Oscar, mas difícil de avaliar sem levar em conta o apelo dramático do personagem. No entanto, sua performance não se limita a reproduzir a aparência de Hawking: ele encontra sutileza em vários momentos para mostrar o mesmo homem do início ao fim da projeção. É uma pena que o filme não lhe dê mais elementos para ir além da imitação.

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Oscar 2015: Relatos Selvagens

Indicação: filme estrangeiro


O boca a boca em torno de Relatos Selvagens já era um bom sinal: todos os comentários que ouvi sobre o filme eram positivos. Sucesso estrondoso em sua terra natal, o longa ressuscita mais uma vez a lenda de que o cinema argentino é melhor que o brasileiro - coisa que se ouve quando um Medianeras ou O Segredo dos Seus Olhos estoura por aqui. Claro que é exagero, porque o cinema nacional e o portenho oscilam entre produções boas e ruins. Mas o que mais me chamou a atenção foram os elogios (unânimes até agora) a um filme antológico, problemático por sua própria natureza. 

Com várias pequenas histórias, é praticamente certo que a obra sofra com alguma irregularidade. E é aí que entra o brilhantismo do autor e diretor Damián Szifron, responsável por todos os contos, que consegue manter o alto nível com tramas sólidas e perspectivas bastante originais. A escolha do tema - a selvageria que emana quando o indivíduo é levado ao limite, impulsionada pelos mais diferentes motivos - mantém o interesse do espectador até o último minuto. Isso porque coloca os personagens em situações corriqueiras e, ao mesmo tempo, inusitadas. Identificação e surpresa, a fórmula ideal das boas histórias. 

Nos seis curtas, é possível identificar três formatos distintos: os dois primeiros apostam em uma história curta e explosiva. No caso de Pasternak, que se passa a maior parte do tempo dentro de um avião, o resultado final é uma boa dose de humor negro, que vem como um cruzado de direita quando a trama, inicialmente até banal demais, ganha ares de comédia nonsense. Já uma ironia melancólica dá o tom da segunda história, Las Ratas, protagonizada por uma garçonete, abalada ao reencontrar uma figura ameaçadora de seu passado. Como a tensão é forte, o alívio vem de forma proporcional, quase uma catarse.

Enquanto as duas caem redondinhas, Bombita e La Propuesta deixam o ritmo cair em sequências mais longas e, consequentemente, mornas. A história de Ricardo Darín talvez seja a mais fraca, por estender demais a apresentação das motivações do personagem: quando o engenheiro, enfrentando problemas corriqueiros, na família e no trabalho, chega ao seu limite, já sabemos exatamente o que vai acontecer. E o final, mais doce que os demais, deixa o curta um tanto deslocado das outras propostas.


La Propuesta também prolonga sua ação ao extremo, diluindo a tensão construída com planos interessantíssimos: a elaborada abertura mostra apenas um BMW entrando na garagem com uma placa ensanguentada, mas fornece toda a informação de que precisamos sem um único diálogo e a maior dramaticidade possível. Em seguida, descobrimos que o atropelamento deixou vítimas fatais e que o culpado não sabe bem como lidar com a responsabilidade. No entanto, o bom dilema principal se estende demais, enveredando por uma subtrama menos interessante, de novo dando ao espectador a chance de antever seu final.

Mesmo com essas ressalvas, Relatos Selvagens tem mais altos do que baixos e fica bem acima da média de outras coletâneas do gênero, especialmente por conta de duas histórias que, por si só, valem o ingresso. Em El Más Fuerte, Leonardo Sbaraglia passa por um aperto numa estrada deserta, no meio do nada, até reencontrar um motorista que havia ultrapassado há algum tempo. O cenário poeirento e a música de Gustavo Santaolalla não dão nenhuma pista do que vem adiante: cenas que vão do terror à comédia num piscar de olhos, revelando um pouco da natureza competitiva, patética e violenta do ser humano, não necessariamente nessa ordem. Quanto mais absurda a situação, mais divertido e mais tenso se torna o curta.

Hasta Que La Muerte nos Separe, que encerra o longa, também dribla bem a longa duração com diversas alterações no tom: uma festa de casamento que não sai exatamente como a noiva vivida por Érica Rivas planejaram termina numa noite que os noivos não vão esquecer, levando o público a gargalhadas, lágrimas e a alguns segundos de apreensão aqui e ali. Uma possível traição é a fagulha suficiente para detonar sucessivas explosões de raiva, mágoa e ofensas entre o casal e os convidados. E o desfecho inesperado acrescenta ainda mais nuances à selvageria que o filme se propõe a contar.

Sim, somos animais. atacamos ao nos sentirmos acuados, somos paralisados pelo medo, disputamos território, somos instinto e nem sempre razão. Mas essa é a comparação mais óbvia. Num prisma maior também somos "aprisionados" por convenções sociais, padrões pré-estabelecidos, procedimentos burocráticos, um sistema falho, corrupto e obsoleto. E nesse contexto só sobrevive o mais forte.

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Oscar 2015


Este blog tarda, mas não falha. Quase um ano depois, aqui estamos nós, aquecendo para mais uma tradicional maratona Oscar. Já que falta menos de um mês para a cerimônia, é hora de correr!

Se vamos dar conta de tantos filmes? Suspense. E se nossos filmes favoritos não levarem nenhum prêmio? Drama. E se liderarmos o bolão do DVD, Sofá e Pipoca? Comédia!

Este ano ainda tem Neil Patrick Harris apresentando a premiação. É emoção demais para este espaço virtual de coração cinéfilo. Agora, você sabe, basta preparar a pipoca e comentar com a gente. 

Bolão do Oscar 2014


Falta pouco! Apesar de o blog não ter demonstrado tanto fôlego para a maratona este ano, o Comentar é preciso não poderia ficar de fora do tradicional bolão do DVD, Sofá e Pipoca. Abaixo, seguem nossos achismos, digo, palpites, e nossas torcidas, claro. Afinal, ainda não temos o poder de obrigar a Academia a premiar nossos favoritos. :)

Melhor filme

Quem eu acho que vai ganhar: 12 anos de escravidão, porque é um filme de... escravidão, oras. Dramas históricos costumam ter vantagem no Oscar.

Por quem eu vou torcer: Ela. O filme mais lindo da temporada

Melhor diretor

Quem eu acho que vai ganhar: Alfonso Cuáron. Me arrisquei aqui, hein...

Por quem eu vou torcer: Alfonso Cuáron, porque foi extremamente corajoso e habilidoso em Gravidade

Melhor ator

Quem eu acho que vai ganhar: Matthew McConaughey, porque perdeu 23 quilos (brincadeira, ele tá ótimo, e o papel é feito sob medida para o Oscar)

Por quem eu vou torcer: Leonardo DiCaprio, que fez um trabalho incrível em O lobo de Wall Street e sempre fica no "quase". Mas quando o McConaughey ganhar, vou ficar feliz também)

Melhor atriz

Quem eu acho que vai ganhar: Cate Blanchett

Por quem eu vou torcer: Cate Blanchett, que sempre é ótima e, desta vez, leva Blue Jasmine nas costas

Melhor ator coadjuvante

Quem eu acho que vai ganhar: Jared Leto, porque perdeu 18 quilos (brincadeira, ele tá ótimo, e o papel é feito sob medida para o Oscar)

Por quem eu vou torcer: Jordan Catalano, digo, Jared Leto. Ele é simplesmente outra pessoa no filme

Melhor atriz coadjuvante

Quem eu acho que vai ganhar: Lupita Nyong'o, porque a personagem é forte, tem apelo, e ela entrega uma atuação irretocável

Por quem eu vou torcer: Lupita Nyong'o, pelas mesmas razões acima

Melhor canção original

Quem eu acho que vai ganhar: "Let it go"

Por quem eu vou torcer: "Let it. go", óbvio! O fato de essa música ficar na cabeça por dias conta tanto quanto o filme ser uma delícia também por causa das canções

Melhor roteiro adaptado

Quem eu acho que vai ganhar: 12 anos de escravidão

Melhor roteiro original

Quem eu acho que vai ganhar: Ela. Um prêmio de consolação, infelizmente

Por quem eu vou torcer: Ela. Uma história linda, criativa, crível, apesar de tudo, e emocionante do começo ao fim

Melhor longa de animação

Quem eu acho que vai ganhar: Frozen

Por quem eu vou torcer: Frozen, meu filme favorito da Disney em muitos anos. Uma grata surpresa, com cheirinho de clássico paras futuras gerações

Melhor documentário

Quem eu acho que vai ganhar: The act of killing, que ainda não tive oportunidade de ver, mas está superbadalado. Me parece interessante, mas não posso opinar na categoria...

Melhor longa estrangeiro

Quem eu acho que vai ganhar: A grande beleza

Por quem eu vou torcer: estou dividida. Da lista vi A caça e Alabama Monroe, dos quais gostei muito, por razões diferentes. Fico no empate

Melhor fotografia

Quem eu acho que vai ganhar: Gravidade

Melhor figurino

Quem eu acho que vai ganhar: O grande Gatsby

Melhor documentário em curta-metragem

Quem eu acho que vai ganhar: The lady in number 6: music saved my life

Melhor montagem

Quem eu acho que vai ganhar: Gravidade

Melhor maquiagem e cabelo

Quem eu acho que vai ganhar: Clube de compras Dallas

Melhor trilha sonora

Quem eu acho que vai ganhar: A menina que roubava livros

Melhor design de produção

Quem eu acho que vai ganhar: Gravidade

Melhor animação em curta-metragem

Quem eu acho que vai ganhar: Get a horse! (fofo!)

Melhor curta-metragem

Quem eu acho que vai ganhar: Helium

Melhor edição de som

Quem eu acho que vai ganhar: Gravidade

Melhor mixagem de som

Quem eu acho que vai ganhar: Gravidade

Melhores efeitos visuais

Quem eu acho que vai ganhar: Gravidade

Oscar 2014: Alabama Monroe

Indicado na categoria: filme estrangeiro (Bélgica)


Não se deixe enganar pelo agradável número musical que abre Alabama Monroe. Assistir ao filme belga é embarcar numa intensa gangorra emocional que acompanha a vida do casal Elise (Veerle Baetens) e Didie (Johan Heldenbergh, coautor da peça que deu origem ao longa). O início da relação entre a tatuadora e o músico representa o lado mais doce dessa história, enquanto a doença da filha deles, Maybelle (Nell Cattrysse), confere tons bem mais escuros à narrativa, que segue em ritmo não linear. A alternância entre as situações, pontuada por belíssimas canções de bluegrass (um estilo musical bem próximo do country), conduzem o espectador a uma experiência, no mínimo, intensa.

Não demora muito para percebermos que o longo tratamento da criança é a prova mais difícil enfrentada pela dupla: nem a gravidez inesperada foi capaz de abalar tanto o relacionamento. E isso é tudo que se pode contar da trama sem correr o risco de revelar demais, embora o filme, dirigido por Felix Van Groeningen, não esteja muito interessado em seguir um rumo inesperado. A jornada dramática dos personagens  e seus questionamentos diante dos acontecimentos são o que realmente conta.


O carisma da atriz mirim impressiona, mesmo nas cenas mais complicadas para uma menina de tão pouca idade. Mas o melhor da produção são mesmo as performances de Veerle e Johan, convincentes tanto como casal apaixonado, sofrido ou distante. O único porém parece ser a paixão inexplicável do protagonista pelos Estados Unidos, a tão proclamada terra da liberdade. Em determinado momento, o roteiro parece apresentar uma justificativa, numa inesperada inversão de ponto de vista, mas a tentativa soa bastante artificial. 

A excelente trilha sonora não só ajuda a criar uma atmosfera, mas acompanha o estado de espírito do casal desde o primeiro encontro até os momentos mais desafiadores, o que ajuda a expressar aquilo que às vezes um não consegue dizer para o outro, como na tocante sequência de "Wayfaring stranger". Por fim, o título escolhido para o filme no Brasil (o longa, que é falado em flamengo, se chama The broken circle breakdown nos países de língua inglesa) curiosamente acrescenta um significado especial à história, que só se explica no final. Chegar lá exige bastante preparo emocional, mas o resultado compensa.



No próximo post: Philomena

Oscar 2014: Frozen - Uma aventura congelante

Indicado nas categorias: animação e canção original


Visual exuberante, uma trama simples e eficiente, protagonistas cativantes e uma trilha sonora encantadora. Embora sempre competente, a Disney não produzia há tempos um filme com tantos predicados, com ares de clássico instantâneo como Frozen - Uma aventura congelante. Mas não deixe se enganar pela palavra "clássico": embora utilize vários dos elementos das tradicionais histórias de princesas, que já se tornaram marca registrada das produções do estúdio, a animação tem um ar irreverente, que moderniza a narrativa.

Inspirado livremente num conto do dinamarquês Hans Christian Andersen, o longa dirigido por Chris Buck e Jennifer Lee (que também assina o roteiro) é centrado na relação entre as irmãs Anna e Elsa. Logo no início, descobrimos que a mais velha nasceu com o poder de criar gelo, magia que vira brincadeira de criança no castelo de Arendelle, mas que pode ser um perigo, já que ela não consegue controlá-lo. No dia em que, por acidente, Anna se fere, Elsa decide esconder sua condição e se isola de todos. Sem memória do que aconteceu, a caçula se ressente pelo aparentemente súbito afastamento da irmã, e o filme retrata esse sentimento numa sequência belíssima que compara a solidão das duas durante anos, mesmo depois que o rei a rainha morrem.

Puro contraste é a alegria da princesa no dia da coroação de Elsa, quando os portões do castelo se abrem novamente, e Anna literalmente tropeça no amor verdadeiro. Clichê dos clichês em toda história de princesa que se preze, no entanto, o encontro fortuito com o príncipe Hans se torna uma das principais subversões do filme (nas piadas que se repetem ao longo da projeção e no desfecho inspirado). Os dois resolvem se casar de imediato, mas a decisão desagrada Elsa, que se exalta e expõe para todo o reino seu poder, que pode ser bastante amedrontador.


Vulnerável e tachada de monstro, a rainha só vê uma solução: fugir, que é, ao mesmo tempo, sua vergonha e sua libertação. Enquanto Arendelle é tomada pela neve, a canção "Let it go" sublinha o alívio da rainha, na bela cena em que assume sua verdadeira identidade e constrói um lugar onde não precisa mais se esconder (um magnífico castelo de gelo). O curioso aqui é que Elsa é vítima e antagonista, porque representa uma ameaça, mas está longe de ser vilã. O papel, ao menos num primeiro momento, é ocupado pelo ambicioso duque de Weselton.

Enquanto isso, Anna decide consertar a situação e vai atrás da irmã. Sim, uma princesa que não precisa ser defendida por um príncipe, embora seja bastante atrapalhada. Imperfeita e corajosa, está aí uma protagonista interessante. Mas logo ela ganha alguns importantes companheiros de viagem: o jovem comerciante de gelo Kristoff e sua rena, Sven (que funciona muitas vezes como um Grilo Falante, embora não pronuncie uma palavra sequer), e o impagável boneco de neve Olaf, que protagoniza um dos melhores números musicais da animação, inspirado na sua improvável paixão pelo verão. O quarteto funciona num timing perfeito para a comédia, que dá o tom do filme a maior parte do tempo, mas também acerta quando mira em sequências de aventura. Os trolls, pequeninas e adoráveis criaturas, são outros coadjuvantes que valem um destaque, apesar de não ganharem tanto tempo de tela quanto mereciam.

O tradicional final feliz do conto de fadas só vem depois de algumas bem-vindas reviravoltas na trama, que contrariam algumas expectativas, especialmente em relação ao tão falado "amor verdadeiro". Não deixa de ser curioso, já que a fórmula mocinha salva pelo príncipe encantado costumava ser a receita infalível para as princesas de outrora (Branca de Neve e A Bela Adormecida dizem algo?). De forma sutil e natural dentro da trama, Frozen ousa um pouco mais, mas continua com gostinho de (um futuro) clássico. Um feito e tanto.



No próximo post: Alabama Monroe

Oscar 2014: O lobo de Wall Street

Indicado nas categorias: filme, diretor (Martin Scorsese), ator (Leonardo DiCaprio), ator coadjuvante (Jonah Hill) e roteiro adaptado


Debochado talvez seja o melhor adjetivo para definir O lobo de Wall Street. No novo filme de Martin Scorsese, que reconta a história real do ex-corretor da Bolsa de Nova York Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), tudo é filmado com lente de aumento. A escolha, ao contrário do que pregam os mais moralistas, está longe de exaltar a conduta do protagonista, que fez fortuna passando para trás gente inocente e hoje ganha a vida dando palestras motivacionais. Ao contrário: ao expor ao ridículo muitas situações vividas pelo personagem, o longa leva o espectador a questionar as escolhas duvidosas de Belfort para alcançar a prosperidade, esse fim tão desejado e incentivado pela cultura americana (e a capitalista, de um modo geral). Tudo vale mesmo a pena?

A pergunta fica no ar desde o início, quando o chefe do então novato corretor explica a ele o segredo do negócio: o dinheiro dos investidores é ilusório, a comissão dos vendedores é real. A cena é incrível não apenas pela atuação inspirada e hilária de Matthew McConaughey (que brilha em poucos minutos de tela), mas pelo ar de ingenuidade de Belfort diante daquele mundo novo. Reparem bem na hesitação, na surpresa e até na aparência mais jovem de DiCaprio. Tudo isso acaba no primeiro telefonema para um cliente, quando o monstro da ganância começa a mostrar suas garras.


Dono de uma lábia impressionante, o protagonista sobrevive ao primeiro grande golpe da carreira e recomeça do zero, ao lado de parceiros nada convencionais, tão habilidosos quanto ele na arte de enganar os clientes. Entre eles, Donnie (Jonah Hill, numa performance competente). Os negócios prosperam a um nível tão obceno quanto as cenas que se veem a seguir: drogas, mulheres, dinheiro, tudo é em excesso. Funcionários sendo humilhados em troca de um prêmio tentador ou anões sendo arremessados dentro do escritório fazem parte do mesmo pacote de bizarrices que inclui os empregados da Stratton Oakmont agindo como primatas. E os discursos inflamados de Belfort podem soar como os de um comandante liderando seu exército diante do campo de batalha, de um político imbuindo a sala com sua ideologia ou mesmo de um líder religioso conclamando seu rebanho. O fato é que seu poder de convencimento o engrandece não só aos olhos dos outros, mas a si próprio.

O império, no entanto, é construído a um preço: o fim do casamento de Belfort, o prejuízo de muitos desavisados e a perda da dignidade de todos os envolvidos. O único empecilho no caminho do golpista parece ser o agente do FBI Patrick Denham (Kyle Chandler), que, curiosamente, é introduzido aos poucos na trama. O recurso revela a ameaça, mas permite que a narrativa foque na trajetória do personagem principal - e ainda evita que o filme caia na mesma estrutura de gato e rato de outros longas como Prenda-me se for capaz (também estrelado por DiCaprio). Aqui, o ritmo é outro: o corretor vai se enrolando na própria teia e, quando se vê sem saída, usa a linguagem que conhece, a do dinheiro. O enfrentamento dos dois é sutil, mas poderoso: por baixo de mil subterfúgios, fica clara a tensão entre a arrogância de um versus a determinação do outro. E a cena final do agente Denham faz referência direta a essa sequência, tornando seu "heroísmo" ainda mais contundente.


Embora o longa seja recheado de humor mesmo em momentos mais tensos na vida de Belfort (como a divertida passagem em que uma overdose de remédios antecede sua prisão), sua derrocada gera alguns bons confrontos dramáticos. E é aí que a escolha de Margot Robbie para o papel de Naomi surpreende: ela cai como uma luva no papel da loura gostosa e fútil, mas é convincente também nas cenas mais difíceis. Encurralado, o protagonista se encontra na difícil posição de escolher a liberdade ou a lealdade aos seus parceiros de falcatruas. Qualquer semelhança com Os bons companheiros (um dos grandes sucessos da carreira de Scorsese) não é mera coincidência: além de levantar uma questão moral, a comparação coloca no mesmo nível mafiosos e especuladores financeiros. Quer crítica maior que essa? Precisos, roteiro e direção ganham mais força ainda com a entrega absoluta de DiCaprio ao projeto (que ele também produziu). No fim, é difícil lembrar daquele jovem ingênuo e deslumbrado do início da projeção: Belfort é outra pessoa, ganancioso ao extremo, na verdade, mais viciado em dinheiro e poder do que drogas ou mulheres. Pela lógica capitalista, ele foi um vencedor. Mas será que tudo vale mesmo a pena?



No próximo post: Frozen - Uma aventura congelante

Oscar 2014


O tempo é curto, os filmes são muitos, mas no fim o esforço vale a pena: a maratona pré-Oscar continua sendo o esporte preferido desse blog. Dá até um orgulhinho de ver que virou tradição mesmo! Então, a partir de amanhã, alguns breves comentários sobre os principais indicados na premiação. A meta é um filme por dia (ou quase!). Então, é bom se aquecer, alongar e poupar o fôlego, porque a corrida vai até dia 2 de março, data da premiação, em pleno domingo de carnaval. Foi dada a largada!

Terceira temporada de 'Sherlock': segundas impressões


Sim, eu precisei assistir à terceira temporada de Sherlock mais uma vez antes de escrever esse post. Porque, vocês sabem, esses três últimos episódios foram bem diferentes de tudo que a série vinha apresentando até então, e isso causa um estranhamento natural. Mas a questão fundamental ainda ecoava: trata-se, enfim, de uma boa temporada? À primeira vista, eu diria que não. Agora, minha tendência é ficar com o "sim".

(Milhões de spoilers a seguir)

 Foram dois longos anos de espera. E "The Reichenbach fall" não foi um episódio qualquer: os 90 minutos que precedem a falsa morte de Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) são dos mais interessantes da produção. E é genial como "The empty hearse" brinca com a expectativa dos fãs sobre a resolução do mistério. Talvez os criadores Steven Moffat e Mark Gatiss tenham se deixado levar demais pelo hype que se criou em torno da atração durante o Grande Hiato? Talvez. Mas, além de ser uma referência direta à resposta do público (algo que não me lembro de outra série ter feito), foi bem inteligente. A comédia aliviou a responsabilidade de uma resposta definitiva. Lembram da reação do Anderson (Jonathan Aris) quando ele ouviu a explicação "definitiva" do próprio Sherlock? "Decepcionante". Ao que o detetive prontamente responde: "Todo mundo é um crítico". Que me desculpem os ranzinzas, mas bom humor é fundamental.


Outro ponto controverso do episódio foi o "caso do dia", que recebeu bem menos importância do que de costume. Acho que essa foi minha grande decepção, logo de início. Todo fã de série/filme de investigação quer acompanhar a investigação do enigma (e por que não antecipar a solução?). O raciocínio brilhante de Sherlock só torna tudo ainda mais instigante nesse programa que nos acostumou bem, sempre com casos bem sólidos. Mas, diante de tantas distrações, o tal atentado terrorista em Londres ficou em terceiro plano, o que não deixa de ser frustrante. Depois de rever a temporada, no entanto, fiquei com a impressão de que a dinâmica não poderia ser outra: caso contrário, o principal aspecto desse retorno perderia o destaque. Sim, o reencontro de Sherlock e John Watson (Martin Freeman). Afinal, é a dupla que nos faz voltar à assistir ao programa, não é? De que adianta uma estrutura bem amarrada, diálogos espertos, fotografia caprichada etc. etc. etc., se os protagonistas não nos cativam? E nunca na série foi tão importante que o relacionamento dos dois ganhasse esse destaque.

Vocês se lembram da despedida de Watson no túmulo de Sherlock. Foi de partir o coração. O detetive também se lembra, mas, como ele não tem bem um coração, resolveu fazer piada com o amigo. Quem mais voltaria dos mortos dois anos depois sem dar nenhuma explicação e zombaria do bigode do melhor amigo? E a hilária reação do médico diz muito sobre o que ele passou em silêncio nesse período. Mas agora há uma terceira pessoa que perturba de alguma forma essa relação tão saudável e equilibrada (ok, nem uma nem outra): Mary (Amanda Abbington, mulher de Martin Freeman), a futura senhora Watson. O desenvolvimento dela na série é sutil e, por isso mesmo, incrível: quando nos afeiçoamos a ela, o fim da temporada nos surpreende. E, se você se sentir traído como John, foi porque você também não notou as pistas que estavam lá desde o começo.


O segundo, sem dúvida, é o mais estranho dos três episódios: ambientado exclusivamente no casamento de John e Mary, recorre a constantes flashbacks para montar o caso do dia, que, na verdade são três (que só fazem sentido completamente no desfecho da trama). Definitivamente, alguma coisa está fora da ordem. E a ausência de ligação imediata com o arco da temporada (o anunciado vilão, Charles Augustus Magnussen, vivido por Lars Mikkelsen, foi apenas sugerido no capítulo anterior) causa ainda mais angústia. Minha impressão sobre o episódio só melhorou depois de uma segunda vista, sem a rejeição inicial e já ciente das pistas que se justificam no conjunto da temporada.

Mas ninguém há de negar que apenas o impagável discurso de Mr. Holmes como padrinho já é o suficiente para justificar a existência de "The sign of three". Ele é tão insensível a ponto de preocupar o inspetor Greg Lestrade (Rupert Graves) - e mobilizar a Scotland Yard por tabela - para escrever um simples texto. E tem dificuldade em reconhecer quando está sendo inconveniente ou está insultando alguém (notem-se as caras de constrangimento entre os convidados). Sherlock continua sendo Sherlock, mesmo que em alguns momentos demonstre uma certa empatia com outros seres humanos. Nada grave. Mas se é verdade que o álcool revela o verdadeiro caráter das pessoas, já é possível afirmar que ele é gente finíssima (e muito divertido, mas disso a gente já sabia).


"His last vow" fecha a temporada de uma maneira mais tradicional, com o vilão apresentado de cara e um caso a ser resolvido. Mas a história principal e suas críticas veladas à mídia ("Eu não preciso provar nada, eu simplesmente publico") não me empolgaram tanto, embora o tipo criado por Mikkelsen (irmão do Mads Mikkelsen, de Hannibal) seja bem interessante: as cenas dele lambendo o rosto da vítima e urinando na lareira do apartamento em Baker Street são memoráveis. Entretanto, o que realmente movimenta a season finale é a descoberta de que Mary não é a inocente enfermeira que afirmava ser, mas alguém com um passado comprometedor. A sequência em que Sherlock leva um tiro e raciocina milhões de coisas ao mesmo tempo em poucos segundos já é uma das melhores da série (aliás, é sempre divertido entrar na cabeça dele, como vimos durante o caso "The mayfly man", no episódio anterior). 

Mas é no jogo psicológico entre Mr. Holmes e Mary e no drama envolvendo o casal Watson que está o melhor da história. Pobre John. Ele partiu meu coração mais uma vez ao se esforçar para tratar a mulher, recém-alçada à condição de estranha, como uma simples cliente e me fez chorar (de novo!) ao jogar fora o pen drive que continha as informações sobre seu passado. Quando é que essa série virou um drama? Não me entendam mal, não faltaram momentos engraçados, como Sherlock drogado, envolvido com Janine (Yasmine Akram) ou dopando seus pais (vividos pelos verdadeiros pais de Benedict Cumberbatch). Mas emoção mesmo foi ver o avião do nosso detetive favorito dar meia volta por causa dele. Sim, Moriarty (Andrew Scott), nós sentimos sua falta.

P.S.: por favor, não fiquem tão obsessivos procurando uma explicação para a volta do Moriarty. Lembrem-se do Anderson...