Sorria, você está sendo filmado


Gelou ao ler esse aviso numa loja e saber que está sendo observado o tempo todo? Imagine essa mesma situação na sua casa - na sala, na cozinha, no quarto, até no banheiro. E o detalhe mais importante: sem o seu consentimento. Essa é a história do (pouco conhecido) filme Vejovocês.com, que faz uma divertida sátira ao mundo dos reality shows. O assunto está longe de ser inédito (lembra de Show de Truman?), mas a abordagem do longa é ligeiramente diferente.

Tudo começa com uma picuinha entre o adolescente Colby e a filha de seu padrasto. Para se vingar, o rapaz instala câmeras no quarto da garota e transmite a intimidade dela pela internet. Com a ajuda da namorada, ele transforma a brincadeira inocente num rentável negócio. O site bate recordes de acessos; pra família toda entrar num big brother involuntário, é um passo. Só que, mais dia menos dia, alguém ia descobrir o que estava acontecendo.

Num primeiro momento, todos se revoltam contra Colby. Mas, diante de um argumento fortíssimo - um ótimo retorno financeiro - eles recuam, e decidem entrar no jogo. A partir daí, se dá a parte mais interessante do filme: na ânsia de atrair o público (e os anunciantes), a família se esforça para criar tramas, conflitos, inventam e substituem os "personagens", alteram a própria vida como se fosse uma novela. Além de protagonistas do show, eles são também seus executivos. A lógica é bem simples: atração interessante = audiência.

Recentemente fiz um trabalho na pós em que discutia justamente isso: será que o que as pessoas querem nesse tipo de programa é mesmo a realidade, ou apenas uma ficção disfarçada? Afinal, ninguém é interessante o tempo todo, daí a necessidade de se construir um personagem. Quem liga pra realidade se o show é mais atraente?
Giselle de Almeida

Eu vejo muita TV


Meu único horário para ver séries é de madrugada, não tem jeito (exceto Lost, que não passa nesse horário, o que é um absurdo). Nem todas eu consigo acompanhar de verdade, aí me contento em ver uns episódios avulsos aqui e ali. Quinta-feira é um dia ótimo: chego em casa no finzinho de um Friends reprisado pela milésima vez, emendo com Pushing Daisies e depois House. Se eu agüentar, vejo Two and a half men. Perfeito.


Ontem todos os episódios foram ótimos. A primeira temporada de Pushing Daisies já acabou, então começaram as reprises. Eu, que peguei a série já começada, adorei. E foi uma das histórias mais mirabolantes que Ned, Chuck e Emerson Cod já resolveram. Muito divertido.

Mudei de canal porque ia começar House, o último episódio da temporada. Passei a gostar da série tarde, é uma das poucas "de hospital" que eu consigo ver. Desde Plantão médico (é, Plantão médico, dublada e na Globo) eu não fazia isso. Comecei a acompanhar mais pelo protagonista em si, porque ele é ranzinza, mal-humorado, rabugento, mal educado, arrogante e eu amo muito tudo isso. Adoro quando ele tortura sua equipe... Mas aí, ontem, a série teve um dos episódios mais tristes que eu já vi ("O coração de Wilson"). Não. O mais triste. Porque ao final, eu já estava em lágrimas (e não estou exagerando). Pobre Wilson.


Mas eu comecei a escrever esse post mesmo pra falar de outra coisa: o melhor de ontem foi o intervalo entre uma série e outra. Sintonizei na Universal no finalzinho de Law and order: SVU. Os policiais estavam perseguindo um serial killer que queria fama a qualquer custo (coincidência das coincidências: é o dr. Kutner, de House). Aí o cara, que estava pra fugir do navio, faz um funcionário de refém. Um dos policiais, na tentativa de salvar o cara, retruca algo do tipo: "Ele veio de algum país do terceiro mundo, quem liga pra ele? Você quer fama, eu sou o policial". Aí o cara se deslumbra, solta o cara e é capturado.

Tudo bem, a intenção do policial até foi boa, mas... podíamos ter ficado sem essa, né não?
Giselle de Almeida

Ele está de volta!


Tudo bem que depois de A dama na água ia ser difícil M. Night Shyamalan fazer outro filme tão ruim. Mas Fim dos tempos não é só o alívio dos fãs, é realmente uma boa história de suspense. Você pode até dizer que as explicações para o mistério principal não são suficientes, mas o final também não pretende ser conclusivo. E, sinceramente, dos males o menor. O importante é que o bom e velho Shyamalan está de volta!

O filme já começa intrigando: logo nos minutos iniciais, em pleno Central Park, todas as pessoas que passam pelo local se suicidam. O fato se repete aleatoriamente em outras regiões do país, o que provoca pânico entre a população e fuga em massa. Nós acompanhamos o drama através do professor de ciências Elliot (Mark Wahlberg), sua mulher, seu melhor amigo e a filha dele.

Durante o trajeto, o grupo acaba se separando, conhecendo outras pessoas e passando por todo tipo de percalço para conseguir sobreviver. Ninguém apresenta uma explicação satisfatória para o que está acontecendo e os primeiros boatos que correm dizem que terroristas teriam atacado o país ou até mesmo o governo dos Estados Unidos estaria envolvido. (Bom, se fosse, era só chamar o Jack Bauer...)

O clima de tensão lembra muito o injustiçado Sinais, que considero o filme em que Shyamalan se sai melhor na condução do suspense. A ameaça era invisível, e isso a tornava ainda mais assustadora. Novamente, é impossível não se envolver com o drama dos personagens, que parecem cada vez mais encurralados.

O elenco de Fim dos tempos é bem convincente, inclusive os coadjuvantes. Só é curioso que a pequena Ashlyn Sanchez tenha tão pouco destaque. Shyamalan costuma escolher bem o elenco infantil de seus filmes (vide Haley Joel Osment, Rory Culkin e a fofíssima Abigail Breslin). Mas, dessa vez, embora a trama de Jess seja interessante, a menina acaba sendo só um personagem secundário.

Ah, e uma curiosidade: desta vez, o exibido diretor não aparece na tela, sua participação é apenas uma voz ao telefone...
Giselle de Almeida

Faça você mesmo


Desiludido com os rumos da atual música pop? Acha que todas as bandas parecem iguais? Cansado de ouvir toda semana que surgiu a salvação do rock? Seus problemas acabaram! Agora, você pode criar a sua própria banda. Explico: passando pelos blogs da Rapha e da Nayra, vi um meme diferente e resolvi brincar também. E o álbum da minha banda é esse aí em cima.

E aí, ainda quer entrar para a Billboard e ser capa da Rolling Stone? Então siga os passos a seguir:

#01. Acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.

#02. Vá para http://www.quotationspage.com/random.php3 - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.

#03. Acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.

Pra criar um clima, um rápido bate-papo com o vocalista da Wattendorf:

Vocês esperavam todo esse sucesso?
Não, de jeito nenhum. Começamos só por diversão e, quando vimos, já estávamos fazendo shows por toda a Alemanha com casa lotada. Com o lançamento das músicas na internet, descobrimos que somos conhecidos também em outros países. Isso é fantástico.

O que mudou na rotina de vocês depois que estouraram?
O lado bom é o reconhecimento do público. O ruim é a falta de tempo para a família e a falta de privacidade.

Vocês pretendem fazer algum show no Brasil?
Estamos ansiosos para nos apresentarmos aí. Sempre ouvimos que as praias são lindas, e as mulheres, maravilhosas. Além disso, dizem que o público é muito caloroso.

Nota do blog: A entrevista publicada é fictícia. Qualquer semelhança é... mera coincidência.
Giselle de Almeida

Trash pouco é bobagem



Personagens bizarros, roteiro inexistente, legendas malfeitas, efeitos visuais e sonoros primários. Imagine todos esses elementos juntos num filme. Uma porcaria, não é? Pois garanto que é uma porcaria bem engraçada. Sábado passado assisti à sessão de Godzilla vs. Megalon, no Cineclube Phobus, especializado em filmes trash. Esclareço, antes de tudo, que fui até lá por motivos profissionais (ia fazer algumas entrevistas para minha matéria da pós), mas acabei ficando. E não é que me diverti?

Sente só a trama: "Uma civilização submarinha é afetada por testes nucleares conduzidos pelas nações da superfície e, revoltada, planeja enviar um monstro para destruir Tóquio. Somente Godzilla poderá enfrentá-lo". Some-se a isso o fato de o filme datar do longínquo ano de 1973. Daí vocês podem imaginar o cenário: um cientista que domina uma "altíssima tecnologia", capaz de produzir um robô bom de luta, mas que ainda utiliza máquina de escrever!

No fim das contas, descobri que o Godzilla não é malvado como eu pensava. Santa ignorância! Ele é um lagarto gigante muito do bobão, diga-se de passagem. E os vilões de seus filmes são os avós dos monstros daqueles seriados japoneses que passavam na extinta Manchete. Todos destruiam sem dó nem piedade a pobre Tóquio (que não passa de uma maquete bem simplória) até que os nossos heróis apareciam e... bem, vocês sabem. O final era sempre igual mesmo.

Viu só? Sorte minha que não sou uma pessoa preconceituosa.
Giselle de Almeida