O segundo fim de semana foi beeem mais produtivo que o primeiro. No sábado, não tive pique, depois de uma noite mal dormida e aula o dia inteiro. Mas no domingo, estava lá, firme e forte. E na segunda, também. Melhor do que o programado.
4 meses, 3 semanas e 2 dias
Pra começar o domingo, um filme nada leve. O longa romeno, premiado em Cannes, trata de um assunto delicado: o aborto. O enfoque é bem interessante - em vez de concentrar a narrativa na jovem que deseja interromper uma gravidez já avançada (como indica o título), quem assume o papel de protagonista é sua melhor amiga, com quem ela divide um quarto numa república de estudantes. É ela quem segura a barra o tempo todo, pega dinheiro emprestado, consegue hotel, faz o contato com o profissional. E a atriz se sai muito bem. O tema do filme é bastante forte, mas é abordado de maneira direta e corajosa.
Esse eu fui ver por influência da minha irmã, que queria ver um filme falado em francês. Aceitei ir, sem nem saber direito do que se tratava. É um filme de época, uma intensa história de amor entre um jovem francês, prestes a se casar com outra, e uma espanhola. Nada demais, serviu como passatempo mesmo. Difícil é acreditar que alguém se interessaria por uma mulher esquisita como aquela, mas o ator principal é um espetáculo!
Déficit
Meu segundo longa da Première Latina, estréia do ator mexicano Gael García Bernal na direção. Difícil é definir a história do filme (ou mesmo seu título): jovem reúne uns amigos para um churrasco em sua casa, se interessa por uma das convidadas e faz de tudo para que sua namorada não chegue ao local. Mais ou menos por aí. Algumas cenas são bem engraçadas, mas o filme não diz muito bem a que veio. Valeu mesmo pela presença do Diego Luna no Espaço de Cinema - ele não fazia parte do elenco, estava só como produtor. Fofíssimo, tirou foto com um monte de gente antes da sessão começar.
O banheiro do Papa
Esse entrou na minha lista aos 30 do segundo tempo. Descobri só no domingo que a programação do dia seguinte havia mudado: haveria uma sessão à tarde e eu estava de folga! Nem acreditei. Já tinha lido alguma coisa sobre esse filme, mas não tinha conseguido encaixá-lo na minha agenda. O filme, co-dirigido por César Charlone (fotógrafo de
Cidade de Deus), bem poderia ser descrito como "Sou uruguaio e não desisto nunca!". Uma história linda, de gente humilde, que ganha a vida como pode, fazendo contrabando, atravessando a fronteira com o Brasil de bicicleta, sofrendo as maiores humilhações, mas que não perde a esperança. Próximo à visita do papa João Paulo II à pequena cidade de Melo, os moradores inventam maneiras de ganhar um trocado montando barraquinhas de comida para os visitantes. Beto tem uma idéia diferente: vai construir um banheiro e cobrar pelo seu uso. Mobiliza a mulher e a filha na empreitada e faz milhares de planos com o dinheiro que vai ganhar. Meu filme favorito do festival até agora.

La señal
Dirigido por um ator que eu adoro, o argentino Ricardo Darín (de Nove rainhas e O filho da noiva). Li uma entrevista em que ele dizia que seu longa era um policial noir, justamente porque nuestros hermanos não são lá muito chegados a filmes de gênero. E ele consegue reproduzir bem o clima desse tipo de filme: um detetive, uma mulher misteriosa, crimes, visual soturno. O roteiro não é nenhuma maravilha, diria que falta até um pouco de charme, mas é um bom exercício de estilo. Sem contar que o cinema argentino é meu xodó, não adianta...
E não é que o festival já está acabando? Mas amanhã ainda tenho mais uma sessão, no Odeon. Afinal, Festival do Rio sem sessão no Odeon não tem graça...