Beautiful day



Estava tudo planejado há mais de um mês. Já havia pedido folga no trabalho, pesquisado preços e horários de passagens, combinado os detalhes com uma amiga. Mas confesso que demorou a cair a ficha. Estava acontecendo de verdade. Eu, em plena terça-feira, em São Paulo, mais precisamente no estádio do Morumbi. Pra ver o U2.

Eu já havia assistido ao show pela tevê na segunda, rindo de orelha a orelha, cantando todas as músicas. Mas bateu aquela sensação de estranheza: em apenas 24 horas eu estaria lá, no meio do povo, vendo tudo isso ao vivo. Frio na barriga. Enquanto isso, todos lá em casa me dizendo que eu devia dormir cedo. Realmente não ia agüentar a maratona do dia seguinte se passasse a noite em claro. Fui pra cama na hora do bis, com o coração apertado. Pus dois celulares pra despertar, com medo de perder a hora. Mas nem precisava, só cochilei por duas horas mesmo. Descobri mais tarde que não tinha sido a única.

Também não consegui pregar o olho na viagem, nem com toda a paisagem monótona da estrada: vaquinhas de um lado, cavalos de outro, verde a perder de vista. A expectativa era maior que o cansaço. Depois de um atraso considerável, duas paradas e trânsito lento na marginal Tietê, chegamos a Sampa às quatro da tarde. Uma chuvinha rápida e o sotaque carregado das atendentes da lanchonete nos deram as boas-vindas. Dali a uma hora, entrávamos no Morumbi, comemorando a vitória antes do jogo começar. Estávamos no direito, não?

Tiradas as fotos obrigatórias, restou-nos sentar e torcer pra hora passar mais rápido. Nesse meio tempo, a gente conheceu um casal de uns quarenta anos que havia assistido ao show de segunda também, acompanhado dos dois filhos. Eles contaram que no domingo tinham ido até o último andar do Hospital Albert Einstein, que fica ali perto, só pra ver a montagem do palco. Fã é isso...

O Franz Ferdinand só ia subir no palco às 20h, mas as luzes se apagaram uns minutinhos antes do previsto. O show dos caras é bom, pena que eu só conhecesse uma música e que o som do microfone estivesse péssimo. Depois, quase uma hora de intervalo. E a ansiedade não parava de aumentar. Quando foi a vez do U2 mesmo, quase não acreditei. Foi lindo, muito parecido com a apresentação da noite anterior. Algumas músicas diferentes, mas a essência era a mesma. Tava lá a encenação da faixa nos olhos, a declaração dos direitos humanos, o Bono puxando uma garota ao palco (nesse dia foram duas). Mas dessa vez ele entendeu as vaias para o grito de "Argentina!". E sorriu.

E eu pulei, cantei e ajudei a iluminar o Morumbi com o meu celular, quase sem bateria. O Alex, que a gente conheceu na viagem, disse que chorou como uma menininha perdida no shopping center. Eu acredito. Ele e Paloma queriam ter ouvido Stay. Eu senti falta de Walk on. Mas a gente não podia nem reclamar, depois de ouvir Elevation, Vertigo, Sunday bloody Sunday, Where the streets have no name, Pride, With or without you, One, Miss Sarajevo e outras tantas, além da lindíssima Sometimes you can't make it on your own, do disco novo. Vários sucessos ficaram de fora, mas não dava pra ser diferente. Quem sabe no próximo?

O segundo bis acabou muito rápido, foram só duas músicas. Ninguém saiu do lugar, na esperança (remota, quase inexistente) de um terceiro. Claro que não teve, aí já era demais. Mas eu continuei arrepiada mesmo depois de as luzes se acenderem. É, tava na hora de voltar pra casa, debaixo de chuva novamente. Que importava? It was a beautiful day.
Giselle de Almeida

Um comentário:

Geisy, a mais melhor de boa disse...

é... mais U2...

Foi 1 mês i-n-t-e-i-r-o de expectativa e ela cantando as músicas deles no meu ouvido, td dia, o dia inteiro. Ficou repetitivo? Ela foi mt mais!

Eu gosto dos caras, e até queria ir ao show, mas além do ingresso ainda ia ter a passagem e o meu cofrinho, infelizmente, estava(e ainda está) nos últimos suspiros. Precisava gostar mmmmmuuuuuuiiiiiittttoo deles pra me desbancar daqui pra lá, e eu vi que eu gosto, mas nem tanto assim. Ela é fã. Ela foi. E foi mt maneiro. E ela continua me perseguindo com as músicas, até o dia em que acordei cantando a plenos pulmões: "SUNDAY, BLOODY SUNDAAAYY!!!!"

Tá, vai... Ela merece. Eu é que não =D

Ps.1: ela me persegue desde o show do Pearl Jam, e esse ano ainda tem Santana, Oasis, Madonna, System of a Down... tô ferrada!

Ps.2: comentário meu ao conferir a entrevista do Bono ao Fantástico no dom antes do show, que ela ficou de colocar, mas esqueceu: a mão do Bono é gordinha!!! é mt fofinha, uma graça!

Ps.3: aliás, que produção foi aquela?? superbrega, com a câmera incomodando nitidamente o Bono e o Larry [viu, sei o nome dele...] e a Glória Maria com comentários do tipo 'taí o Bono, sempre com seu chapéu e óculos, charmosíssimo..' - dispensável!