Oscar 2011: A rede social


Indicado nas categorias: filme, diretor (David Fincher), ator (Jesse Eisenberg), roteiro adaptado, fotografia, edição, trilha sonora original e mixagem de som


Impossível não notar como o duplo sentido do título A rede social se encaixa perfeitamente na narrativa de David Fincher. Num primeiro nível (o mais querido aos marqueteiros do filme), a expressão se refere, obviamente, à criação do Facebook, motivo que desperta a curiosidade do público, claro, ou o livro que originou a produção (Bilionários por acaso, de Ben Mezrich) não seria um best-seller. Quem não adoraria descobrir que um moleque universitário se tornou um bilionário quase da noite pro dia e que o famoso site de relacionamentos não foi uma simples estratégia de uma grande corporação, mas sim o resultado, muito mais elaborado, de um urgente sentimento de vingança de um nerd contra uma ex-namorada? Sim, tudo isso é curioso, mas... já não estava no livro?

Entretanto, é o segundo nível da expressão "a rede social" que torna o longa realmente interessante: o cara que criou uma das ferramentas mais utilizadas hoje em dia para conectar pessoas era incapaz de se relacionar. Obedecendo ao clichê, o gênio Mark Zuckerberg não fazia lá muito sucesso com as mulheres nem era parte do time dos alunos mais populares de Harvard. Foi despejando sua raiva na internet que ele acabou com qualquer chance de reconquistar a garota, foi roubando a ideia alheia que ele ganhou inimigos no campus e foi na criação do site que ele arruinou a única amizade verdadeira que tinha, com o brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do FB, que foi, aos poucos, sendo jogado para escanteio. Mas, para Zuckerberg, tudo vale a pena se seu site tem hoje 500 milhões de usuários. E tudo isso não deixa de ser uma grande ironia.


A partir daí, o que se vê é uma sucessão de decisões equivocadas, egoísmo, deslumbramento, traição, vingança. Por todas as situações que vão surgindo ao longo do filme, a gente fica com raiva do protagonista, embora Jesse Eisenberg, um Michael Cera piorado, não faça o mínimo esforço para tanto. Se ele era mau-caráter ou apenas blasé e alienado, nunca saberemos. Com isso, quem cresce em cena é Andrew Garfield, o injustiçado da história. Difícil não torcer por ele. O restante do elenco, incluindo Justin Timberlake como o irritante Sean Parker, também se sai bem.
 
A construção do roteiro de Aaron Sorkin é muito bem-feita, e Fincher consegue um bom resultado alternando as sequências das audiências e os flashbacks, prendendo a atenção do espectador até o fim,  graças aos sempre tensos encontros entre as partes envolvidas no processo. Nada originalíssimo, mas funciona. O que não dá pra entender é o furor que esse filme, vencedor de quatro Globos de Ouro, causou. Dá pra ver sem medo, mas também não é pra tanto, minha gente. Ou vocês realmente acham brilhante um filme com frases de efeito como "Morávamos em fazendas, moramos em cidades e agora vamos viver na internet"? Totalmente dispensáveis, só servem para reforçar a ideia, caso alguém não tenha percebido, que "o filme é um retrato da geração dos anos 2000, blá, blá, blá". Chaaaato. É aquela velha história: se tivermos que explicar uma piada, ela perde toda a graça.


No próximo post: Biutiful
Giselle de Almeida

5 comentários:

Fabiane Bastos disse...

Tá empolgada mesmo hein blogueira!

Eu curti A Rede Social, acho que porque esperava outra coisa quando entrei na sala(não li o livro).

Não encha muito a bola do Andrew Garfield (será que ele gosta de lazanha?), pois ele já cometeu o erro de se tornar o próximo homem aranha! :P

Giselle de Almeida disse...

Ahahahaha, o Oscar sempre me anima, Fabi!

O que você tem contra o Andrew Garfield? Ele estava bem no filme. E quem não aceitaria ser o novo Homem-Aranha???

Adelso Zamprogno disse...

Eu achei legal, mas nada demais. Parece que todo mundo que viu adorou o filme, achei que tinha algo de errado comigo :)

_____________
Lose Yourself

Giselle de Almeida disse...

Pois é, também não achei essa Coca-Cola toda não. Gente empolgada, né?

Fabiane Bastos disse...

Não tenho nada contra o pseudo comedor de lazanha. Pelo contrário, eles estava ótimo em A Rede e Parnassus, apenas não podia perder a chance de zoar c/ ele. kkkkkkkk

P.S.: sobre o cabeça de teia, já viu algumas das fotos do set? O povo ta alegando saudades do Tobey. :P