Trailers inacreditáveis - parte 2
Esta pérola eu vi no DVD: mais um filme desconhecido, com a Kim Basinger no elenco (gente, ela precisa escolher melhor os trabalhos...) No suspense Enquanto ela está fora, ela é uma mulher que se mete com uns homens muito mal-encarados sem querer: no estacionamento, ela fica p da vida com um cara que estaciona mal e deixa um recadinho desaforado no pára-brisas. Mas o grupinho chega, vê o bilhete e resolve tirar satisfação. É, improvável assim mesmo. A partir daí, começa a perseguição "de tirar o fôlego".
Ok, hora de parar por aí, para deixar o espectador curioso? Nada disso. Se não mostrar T-U-D-O, não está bom. Então tá: por puro instinto de sobrevivência, la Basinger descobre que consegue se livrar dos caras. Da forma mais violenta possível. E o trailer faz questão de mostrar morte por morte. Ou seja, se alguém ainda estava interessado em ver o filme, perdeu a vontade na hora. Mas não é só isso! O trailer ainda tem um final surpreendente: depois de chegar em casa vivinha da silva, ela ainda mata o marido! Sensacional, não é? Genial. Eu juro que quero um trabalho desses.
O Google e eu
Aprendi com a Bel que os visitantes de blogs chegam a nós pelas mais inexplicáveis razões. Pelo visto, o Google não entendeu direito os propósitos deste humilde espaço. Se é que existe algum...
A seguir, os que mais me impressionaram:
roupa de gurila (Qual número?)
preciso criar um final diferente para a chapeuzinho vermelho (Criar= ctrl+c e ctrl+v)
preciso que ele volte (Então liga pra ele. Não perturbe o pobre Google)
preciso de felicidade (Entra na fila e pega senha, meu bem)
qual conclusao sobre jogo da memoria (Se a sua memória é boa ou ruim?)
onde os gorilas se adaptar (Mim, Tarzan, you Jane)
mike, um ex-dublê (Quem???)
o que é que é bate na porta mas nunca entra (Sou péssima nisso)
modelo de aviso voce esta sendo filmado (Opte pelo básico: você está sendo filmado)
martha medeiros velocidade maxima perguntas (Eu é que não tenho as respostas)
maria baiana trash (Acho que a Ana não é fã do gênero...)
microndas celular gugu (Essa mistura não deve ser nada boa)
frases preciso de vc (E existe mais de uma?)
frases famozas de filmes (Aurélio urgente, por favor)
frases eu sou livre de famosos (Sorte sua)
frases de deixar no perfil mas as frases de arrasar ("Eu não tenho personalidade")
criaturas estranhas que habitaram o mundo no passado (Conheço as que habitam no presente, serve?)
como era o moda de vida dos cariocas antigamente (Não sou tão velha assim)
as perguntas mais intrigantes da humanidade (Quando encontrar as respostas, volte e me diga, por favor)
Festival do Rio 2008: acabou-se o que era doce
E eu, que achei que meu festival ia acabar mais cedo esse ano, ainda consegui pegar o fim de semana de repescagem. Ontem, fui ver mais dois filmes no Estação Botafogo. Agora, só ano que vem... :(
Velha juventude
A bomba do (meu) festival. Tinha lido críticas positivas sobre o longa, que estava nos destaques da programação, afinal era o primeiro trabalho do Coppola em dez anos. E ainda tinha o Tim Roth, que eu adoro. A história: professor é atingido por um raio, sobrevive e... rejuvenesce! Com todo o gás, ele enfrenta o dilema de se dedicar ao seu trabalho ou ao seu grande amor. Tá, um bom ponto de partida para uma discussão sobre o tempo, a vida, a velhice, a morte... Pára tudo. Isso NÃO é o filme. Pretensioso, Velha juventude não sabe que rumo seguir: flerta com o romance, inesperadamente envereda pelo thriller, passeia pelo realismo mágico e, depois de longas duas horas, não chega a lugar algum. Quer ser poético e profundo, mas não é mais que entediante. Quer discutir vários temas de um fôlego só, mas o péssimo roteiro não consegue dar nenhuma resposta. Só faz confundir e irritar o espectador. O pior é que as críticas que eu li preferiam citar os planos "ousados" e os grandes temas abordados no filme. Só porque tem a grife Coppola? Gente, ninguém está livre de fazer um filme ruim. Deixa o homem trabalhar. Quem sabe no próximo ele acerta.
A onda
Ao menos, o último filme do festival valeu o ingresso. No longa alemão, durante um curso sobre autocracia, professor resolve utilizar um método pouco ortodoxo: em vez de simplesmente falar sobre o assunto, transforma a classe num exemplo vivo do tema. Ele assume o papel de líder e começa a transmitir os valores que regem um governo autocrata: nacionalismo, obediência, disciplina, ordem. A grande maioria dos alunos adere ao movimento, batizado de "A onda". Mas a brincadeira extrapola os limites da sala de aula e acaba fugindo do controle do professor.
O roteiro, baseado em fatos reais, é bem organizado, e a direção, bastante sutil. Da forma como a história é contada, vamos acompanhando passo a passo a evolução do movimento, o entusiasmo dos alunos e sua adesão quase cega a uma causa que nem mesmo existe, que foi inventada, mas que eles assumem como sendo uma nova identidade. Dá pra termos a noção de que a autoridade desmedida é tão perigosa quanto a obediência irrestrita, e fica claro desde o início que a iniciativa não teria boas conseqüências. O elenco, em sua maioria jovem, dá conta do recado, e o resultado é um filme que faz pensar.
Festival do Rio 2008: amor ao cinema
Festival é isso: faz a pessoa cruzar a cidade (literalmente, da Zona Norte à Zona Sul), ficar sem almoço e sair esbaforada para procurar o bendito cinema. Mas eu não reclamo... E dessa vez, tive a ilustre companhia da Fabi, que veio de mais longe ainda.
Rebobine, por favor
Imagine a mistura inusitada: o diretor francês Michel Gondry, de Brilho eterno de uma mente sem lembranças e o comediante americano Jack Black. Alguma idéia do resultado? Pois é, eu também não tinha até ontem à tarde, mas a sinopse tinha me interessado: após destruir acidentalmente o acervo de uma videolocadora, dois amigos tentam consertar o prejuízo refilmando os títulos perdidos. É uma óbvia homenagem ao cinema, ainda que de uma maneira torta: em tempo recorde e com poucos recursos, eles têm que se virar e abusar da criatividade. E a dupla vai recriando Os caça-fantasmas, A hora do rush 2, Conduzindo Miss Daisy... Além da caracterização dos atores, os cenários toscos e os defeitos especiais são o destaque. E esses são justamente os melhores momentos do filme.
Entretanto, no geral, a trama é um tanto arrastada, talvez porque o diretor tenha optado por não fazer uma comédia rasgada, o que seria uma ótima solução. Em vez disso, ele insiste num certo lirismo ao tentar contar a história do dono da locadora, que quer preservar a memória do lugar a todo custo, que prefere as fitas de vídeo ao DVD. Acontece que o personagem de Danny Glover acaba deslocado na história, um pouco fora do tom. Comédia bem feita é cinema do bom, sim. Não precisa ter vergonha, seu Gondry.
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